METRÔ DE BH DEPENDE DA COPA

Problemas como a pane de anteontem evidenciam a falta de investimentos

Apesar do número de usuários do metrô de Belo Horizonte ter crescido mais de 5% em um ano – passando de 147 mil passageiros em 2008 para 156 mil em 2009 – as inúmeras promessas para a ampliação do serviço ainda não saíram do papel. Enquanto os recursos não chegam, a população sofre com a superlotação dos vagões e, anteontem, uma pane no serviço obrigou cerca de 300 pessoas a desembarcarem e andarem sobre os trilhos.

CO Ministério das Cidades prevê a liberação de R$ 130 milhões para o trem urbano da capital ainda neste ano. Mas a liberação dos recursos está condicionada a confirmação de Belo Horizonte como cidade sede da Copa do Mundo de 2014. Quase a metade dos R$ 130 milhões estaria destinada à melhorias da linha 1 (Vilarinho/Eldorado).

O projeto de expansão do metrô foi tema de um encontro no início do ano entre o presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o deputado Alberto Pinto Coelho (PP), o prefeito da capital, Márcio Lacerda (PSB) e o presidente da CBTU, Elionaldo Magalhães. Na ocasião, os participantes levantaram o custo para a aquisição de novos trens a serem destinados para a Linha 1 e a construção dos dois outros trechos: Pampulha/Savassi e Barreiro/Calafate. O valor chegava a quase R$ 3 bilhões.

PANE. Se por um lado a falta de recursos trava o crescimento dos ramais do metrô da capital, de outro, os usuários convivem com problemas quase constantes. A situação mais relatada é o excesso de passageiros. Mas, anteontem, um grupo foi surpreendido com uma pane, por volta das 18h, em pleno horário de pico. Os trens pararam entre as estações Carlos Prates e Calafate. Os quase 300 passageiros tiveram que sair dos vagões e caminhar até a plataforma de desembarque mais próxima.

Conforme a assessoria de comunicação da CBTU, o problema foi um fato isolado e a composição do trem que sofreu a pane (com quatro vagões) foi encaminhada para análise. A causa da pane ainda não foi identificada. De acordo com o engenheiro civil Silvestre de Andrade Filho, mestre na área de Transporte, o serviço oferecido pelo metrô da capital é de qualidade, porém, o transporte opera no limite de sua capacidade há alguns anos. “Além de ampliar o atendimento a outras regiões, é necessário aumentar o número de trens, pois a demanda de usuários é maior”, disse Andrade.