


A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) vai fazer simulações dos impactos da transferência da rodoviária para o Bairro Calafate, na Região Oeste. A Secretaria Municipal de Políticas Urbanas contratará uma empresa de consultoria, que, com base em projeções, avaliará se o sistema viário será capaz de suportar o volume futuro de tráfego. A previsão é de que os estudos comecem ainda este mês, quando deve ser concluída a licitação pública para a prestação do serviço.
Caberá à empresa contratada reproduzir, com o uso de softwares, as condições de circulação em 2009 e 2019, nos horários de pico da manhã e da tarde. A recriação do cenário e suas condições, segundo o termo de referência da disputa deve ser minunciosa, considerando largura de faixas, programação de semáforos e embarques em pontos de ônibus, entre outros fatores. O mesmo vale para a visualização do comportamento dos veículos, o que inclui a detecção de filas e congestionamentos. O fluxo atual será calculado com base em medições in loco e o futuro, estimado de acordo com fatores de crescimento.
Conforme o documento, as obras programadas para o entorno, incluindo as do Programa de Estruturação Viária de Belo Horizonte (Viurbs), deverão ser levadas em conta. São seis, entre elas a construção de interseções na BR-040, na Via Expressa e nas avenidas Amazonas, Pedro II e Tereza Cristina com o Anel Rodoviário. O escritório de consultoria terá de propor as soluções adequadas para os problemas verificados.
Orçado em R$ 298,6 mil, o serviço também prevê um estudo urbano, com as conseqüências da rodoviária para o mercado imobiliário, a qualidade ambiental, o uso e a ocupação do solo. Oficialmente, a prefeitura diz que as conclusões vão fundamentar a decisão do prefeito Márcio Lacerda (PSB) sobre a ida do terminal para o Calafate, o que deve ocorrer a partir de julho, segundo a BHTrans. Ela era dada como certa na administração passada, que chegou a anunciar licitação para erguer o prédio, por meio de parceria público-privada (PPP). Mas o projeto foi suspenso por Lacerda e condicionado ao resultado dos novos levantamentos. A rediscussão é uma promessa de campanha aos moradores, que reclamam dos possíveis prejuízos à qualidade de vida na região.
Para integrantes da área técnica do município, a transferência sempre esteve nos planos e os 30 mil passageiros diários do terminal já estão com o pé na Região Oeste. “O prefeito quer ter uma certeza, mas não é por acaso que aquela área foi escolhida. Isso está sustentado em estudos. Sabemos que o resultado não vai apontar uma catástrofe”, afirma um dos envolvidos no projeto, acrescentando que qualquer desistência implicaria, necessariamente, mudar o conceito do empreendimento.
É que não há, segundo a fonte, locais que reúnam as características do Calafate: terreno grande, muitas ligações viárias e articulação com o metrô. “Teríamos de criar as condições, o que pode inviabilizar a rodoviária”. Nesse caso, a solução seria erguer três ou quatro terminais nas pontas da cidade, o que também seria contraindicado, no entendimento do técnico: “A arrecadação dos prédios com taxas de embarque e outras cobranças não seria capaz de sustentá-los”.