


Homens e máquinas trabalhando a pelo vapor mudaram a paisagem do Anel Rodoviário desde o início da reestruturação dos 26,8 quilômetros de extensão da via, que começou no final do mês de junho. E os cuidados para trafegar no local, que registra grandes retenções no decorrer do dia, devem ser redobrados. (...)
O engenheiro civil e mestre na área de transporte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Silvestre Andrade, aceitou o convite da reportagem para percorrer o Anel Rodoviário e fez algumas ponderações quanto às condições atuais de circulação.” As informações para esclarecer a obra estão de acordo com os padrões de segurança, mas poderíamos intensificar esses alertas com placas que repetissem a distância do motorista em relação aos pontos onde há homens trabalhando, bem como nos acessos ao Anel”, destacou.
Segundo ele, outro cuidado necessário é a orientação noturna condizente com os trabalhos na pista. “As placas de sinalização são entendidas como um diálogo da rodovia com o motorista. Portanto, se não houver trabalho noturno em determinado ponto, uma placa equivocada pode desacreditar a sinalização. Esse cuidado é crucial para uma boa relação entre as partes”, disse.
Com a previsão para a obra ser concluída é em dezembro deste ano, o especialista ainda ressaltou que os condutores devem ficar atentos com a sinalização horizontal, que está apagada ou quase não existe em alguns pontos. Por tal motivo, a divisão das pistas não está clara. “Existem fatores que serão reparados, como a pintura das faixas que separam a pista e os estragos dos separadores centrais de tráfego”, disse o especialista. (...)
Segundo a Sudecap, 80% das ruas e avenidas que se aproximam do Anel têm placas informativas da obra. No decorrer das intervenções, serão acrescentadas cerca de 2.000 placas turísticas e de trânsito, além de oito passarelas.
Acidente
Apesar de o especialista evitar associações entre a obra e o acidente (...) que envolveu 22 veículos no Anel e deixou dois mortos, uma das vítimas criticou o horário de realização das intervenções. “O acidente teria sido mais leve se os carros não tivesse presos no congestionamento”, disse o caminhoneiro Ronaldo Gonçalves Ribeiro, 40. Já para Andrade, é preciso reverter o estigma fatalista das rodovias brasileiras.
Segundo ele, o Anel Rodoviário conflita interesses de um trânsito rodoviário de veículos de grande porte (...) e um tráfego urbano (...) que pela natureza têm velocidades distintas. De acordo com Andrade, essa mistura de perfis diferentes pode ser explosiva, gerando alguns conflitos. “O sistema viário de Belo Horizonte foi constituído ao longo do tempo por vias radiais que se convergem saindo da capital. Existem pouquíssimos caminhos de maior capacidade que ligam os bairros, e o Anel assumiu essa função”, disse.
Tanto o especialista Andrade quanto o conselheiro da organização não governamental Instituto Horizonte, Marcos Sant’anna, relembram o projeto de criação de um novo Anel, que sairia de Betim passando pelo eixo norte da Grande Belo Horizonte. Desengavetar esse projeto iria colaborar para melhorar o fluxo da via atual. Estima-se que o trânsito diário no Anel Rodoviário atualmente é de 100 mil veículos. (Flaviane Paixão)
Notícia publicada pelo jornal O Tempo em 2 de agosto de 2006.